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Postado Por : Unknown quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O que é Psicologia?




Psicologia é a ciência que tem como objeto de estudo os comportamentos (tudo o que organismo faz) e os processos mentais (experiências subjetivas inferidas através do comportamento). O objeto de estudo da psicologia se encontra no indivíduo, em geral humano, mas estudar o comportamento animal para fins de pesquisa e correlação também desempenha um papel importante para dadas abordagens (ver etologia).

É vital fazer uma distinção: tratamos da Psicologia Científica, e esta leva o Senso Comum e a Cultura a se apropriarem de seus conhecimentos, conjunto de ideias, crenças e convicções a respeito de como devemos identificar o modo como às pessoas funcionam, sentem e pensam.

A sociedade e as pessoas usam o vocabulário da Psicologia, que adquire assim significados diversos de acordo com o contexto em que é usado. Termos como "personalidade" ou "ego" têm significados diferentes na linguagem científica e na linguagem do cotidiano.

E a história da palavra Psicologia? A etimologia de Psicologia deriva de Psique (alma) + Logos (razão ou conhecimento); “A psicologia possui um longo passado, mas uma história curta", disse Herrmann Ebbinghaus. Apesar de teorias "psicológicas" fazerem parte de muitas tradições orientais, a Psicologia enquanto ciência tem suas primeiras raízes nos filósofos gregos como Sócrates, Platão e Aristóteles – estes iniciaram a investigação da natureza humana, que permaneceu uma preocupação dos filósofos até o final do século XIX




Para Sócrates (469/ 399 a C.) a principal característica do ser humano era a razão – aspecto que permitiria ao homem deixar de ser um animal irracional.

Platão (427/ 347 a C.) – discípulo de Sócrates, conclui que o lugar da razão no corpo humano era a cabeça, representando fisicamente a psique, e a espinha dorsal teria como função a ligação entre mente e corpo.

Já Aristóteles (387/322 a C.) – discípulo de Platão – entendia corpo e mente de forma integrada, e percebia a psique como o princípio ativo da vida.


Em 1649, René Descartes – filósofo francês – publica Paixões da Alma, reafirmando a separação entre corpo e mente. O Cartesianismo é o pensamento que dominou o cenário científico da Psicologia até o século XX.

O primeiro laboratório de Psicologia foi fundado pelo fisiólogo alemão Wilhelm Wundt, em 1879, tendo publicado seu livro "Principles of Physiological Psychology em Leipzig, na Alemanha. Seu interesse havia se transferido do funcionamento do corpo humano para os processos mais elementares de percepção e a velocidade dos processos mentais mais simples. O seu laboratório formou a primeira geração de psicólogos. Alunos de Wundt propagaram a nova ciência e fundaram vários laboratórios similares pela Europa e os Estados Unidos. 

Edward Titchener foi um importante divulgador do trabalho de Wundt nos Estados Unidos. Mas uma outra perspectiva se delineava: o médico e filósofo americano William James propôs em seu livro The Principles of Psychology (1890) uma nova abordagem mais centrada na função da mente humana do que na sua estrutura fisiológica. Nessa época era a Psicologia já uma ciência estabelecida e até 1900 já contava com mais de 40 laboratórios na América do Norte.



No final do século XIX, estudiosos começam a distanciar a Psicologia da Filosofia e da Fisiologia, dando origem ao que se chamou de Psicologia Moderna. Comportamentos observáveis passam a fazer parte da investigação científica em laboratórios com o objetivo de se controlar o comportamento humano. Tinham como objetivo construir um corpo teórico consistente, buscando o reconhecimento, enfim, da Psicologia como ciência.


É neste cenário investigativo que surgem três correntes teóricas: o Estruturalismo, o Funcionalismo, e o Associacionismo.


  • No Estruturalismo Edward Titchener(1867/1927) também se preocupava com a consciência, mas com seus aspectos estruturais – percebiam a consciência , isto é, seus estados elementares como estruturas do Sistema Nervoso Central.
  • O Funcionalismo foi elaborado por William James (1842/1910) que teve a consciência como sua grande preocupação – como funciona e como o homem a utiliza para adaptar-se ao meio.
  • O Associacionismo foi apresentado por Edward Thorndike(1874/1949). Seu ponto de vista era que o homem aprende por um processo de associação de ideias – da mais simples para a mais complexa.


No início do século XX, surgem mais três correntes principais, que, por sua vez originaram a diversidade de correntes psicológicas, que conhecemos hoje:

  • Behaviorismo – surgiu nos EUA com John Watson(1878/1958). Foi conhecida pela teoria S-R, ou seja, para cada resposta comportamental existe um estímulo antecedente, e uma resposta consequente.
  • Psicanálise – teoria elaborada por Sigmund Freud (1856/1939) recupera a importância da afetividade e tem como seu objeto de estudo as vivências de infância e o inconsciente.
  • Gestalt – surgiu na Europa, mais precisamente na Alemanha, com Wertheimer, Köhler e Koffka, entre 1910 e 1912 e nega a fragmentação das ações e processos humanos, postulando a necessidade de se compreender o homem como uma totalidade, resgatando as relações da Psicologia com a Filosofia.


Hoje, século XXI os conhecimentos produzidos pela Psicologia e a complexidade e capacidade de transformação do ser humano, acabaram por ampliar em grande medida sua área de atuação.

Assim, a Psicologia atual tem várias áreas de conhecimento (de forma interdisciplinar, como no caso da sociobiologia evolutiva, ou de forma transdisciplinar, como no caso da bioética), possibilitando cada campo de atuação uma gama infinita de descobertas sobre o homem e seu comportamento, ou sobre o homem e suas relações.




São estes os campos de trabalho do Psicólogo:
·         Psicologia Clínica
·         Psicologia Organizacional
·         Psicologia Educacional
·         Psicologia Social Comunitária
·         Psicologia Hospitalar
·         Psicologia Jurídica
·         Psicologia Esportiva
·         Psicologia Ambiental
·         Psicologia dos Desastres


E alguns objetos de estudo da Psicologia:
·         Linguagem e Aprendizagem
·         Percepção
·         Sexualidade
·         Personalidade
·         Emoções
·         Relacionamentos Humanos
·         Aptidões e Performances
·         Desenvolvimento Humano
·         Psicopatologia


Atualmente, existem algumas perspectivas do objeto de estudo dentro da Psicologia, que diferem em seu enfoque:


A perspectiva Psicodinâmica

Segundo a perspectiva psicodinâmica o comportamento é movido e motivado por uma série de forças internas, que buscam dissolver a tensão existente entre os instintos, as pulsões e as necessidades internas de um lado e as exigências sociais de outro. O objetivo é assim a diminuição dessa tensão interna. A perspectiva psicodinâmica teve sua origem nos trabalhos do médico Sigmund Freud (1856-1939) com pacientes psiquiátricos. 

O modelo freudiano é notoriamente reconhecido por enfatizar que a natureza humana pode ter suas ações motivadas por fatores não acessíveis à consciência. Além disso, Freud dava muita importância à infância, como uma fase importantíssima na formação da personalidade.




A perspectiva Analítica

Em reação à perspectiva psicodinâmica, Carl Gustav Jung começou a desenvolver um sistema teórico denominado "Psicologia Analítica", como resultado direto de seu contato prático com seus pacientes. Utilizando-se do conceito de arquétipos, "complexos" e do estudo dos sonhos e de desenhos, esta corrente se dedica a entender profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente. 

Nessa teoria, enquanto o inconsciente pessoal consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam algo universal, os arquétipos, que são como um depositário de significados reunidos.





A perspectiva Comportamental

A perspectiva comportamentalista procura explicar o comportamento pelo estudo de relações funcionais interdependentes entre eventos ambientais (estímulos) e comportamentais (respostas). 

A atenção do pesquisador é dirigida para determinado indivíduo enquanto um organismo se comporta em certas condições ambientais, assim o cientista do comportamento pode aferir as consequências e os efeitos que essas reações produzem. 

Os adeptos dessa corrente entendem o comportamento como uma relação interativa de transformação mútua entre o organismo e o ambiente que o cerca na qual os padrões de conduta são naturalmente selecionados em função de seu valor adaptativo.

Trata-se de uma aplicação do modelo evolucionista de Charles Darwin ao estudo do comportamento que reconhece três níveis de seleção - o filogenético (que abrange comportamentos adquiridos hereditariamente pela história de seleção da espécie), o ontogenético (que abrange comportamentos adquiridos pela história vivencial do indivíduo) e o cultural (restrito à espécie humana, abrange os comportamentos controlados por regras, estímulos verbais, transmitidos e acumulados ao longo de gerações por meio da linguagem). 

Análise do Comportamento, ciência que verifica tais postulados teóricos, baseia-se em experimentos empíricos controlados e de alto rigor metodológico, que levaram ao descobrimento de processos de condicionamento. Destaca-se das demais correntes da Psicologia pela exclusiva rejeição do modelo de pensamento dualista que divide a constituição humana em duas realidades ontologicamente independentes, o corpo físico e a mente.

Ou seja, na perspectiva comportamental os processos subjetivos tais como emoções, sentimentos e pensamentos/cognições são entendidos como substancialmente materiais e sujeitos às mesmas leis naturais do comportamento, sendo logo, classificados como eventos ou comportamentos encobertos/privados. Tal entendimento não rejeita a existência da subjetividade, como popularmente se imagina, mas destituí a mesma de um funcionamento automatizado.

As práticas terapêuticas derivadas das abordagens comportamentais estão entre as mais eficientes e cientificamente reconhecidas e são, portanto, preferencialmente empregadas no tratamento de transtornos psiquiátricos. O modelo de estudo analítico-comportamental é também vastamente empregado na Farmacologia e nas Neurociências.


A perspectiva Humanista

Em reação às correntes Comportamentalista e Psicodinâmica, surgiu nos anos 50 do século XX a perspectiva existêncial-humanista, que vê o homem como um ser ativo e autônomo, que busca, conscientemente, seu próprio crescimento e desenvolvimento, apresentando uma tendência à auto realização. 

A principal fonte de conhecimento da abordagem psicológica humanista é o estudo biográfico, com a finalidade de descobrir como a pessoa vivencia sua existência e entende sua experiência. A perspectiva humanista procura um entendimento holístico do ser humano e está intimamente relacionada à epistemologia fenomenológica. Exerceu grande influência sobre a psicoterapia.




A perspectiva Cognitiva

O Cognitivismo foi uma corrente da Psicologia inspirada e até conjunta ao Comportamentalismo na perspectiva Cognitiva-Comportamental. O foco central do Cognitivismo é moldar o comportamento do paciente através da reflexão para adequá-lo à realidade pelo questionamento retórico e a reorganização de crenças. 

A perspectiva cognitivista se dedica assim à compreensão dos processos mentais que influenciam o ser humano - a capacidade do indivíduo de compreender e imaginar alternativas antes de se tomar uma decisão, de descobrir novos caminhos a partir de experiências passadas. Apesar de fortemente influenciada pelo Comportamentalismo, a Psicologia Cognitivista retoma o modelo convencional das demais correntes psicológicas ao afirmar a existência de uma dicotomia entre processos mentais e comportamentais.


A perspectiva Evolucionista

A perspectiva evolucionista se ampara na Teoria da Evolução, e explica o desenvolvimento do comportamento e das capacidades como parte da adaptação humana ao meio ambiente. Diferente da abordagem comportamental, recorre a acontecimentos ocorridos há milhões de anos para entender o atual estado evolutivo, bem como os próximos. 

Como os psicólogos evolucionistas não podem realizar experimentos para comprovar suas teorias, assim essa abordagem da Psicologia conta somente com sua capacidade de observação e com o conhecimento adquirido por outras disciplinas como a etologiaantropologia e a arqueologia

Um de seus cientistas mais importantes é Timothy Leary, que conseguiu sintetizar de forma brilhante explicações metafísicas parapsicológicas a explicações psicológicas, sociológicas, antropológicas e arqueológicas (Teoria dos 8 cérebros).




Referências Bibliográficas

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"Psychologie ist die Wissenschaft vom Verhalten (alles, was ein Organismus macht) und von den mentalen Prozessen (subjektive Erfahrungen, die wir aus dem Verhalten erschließen)". MYERS, D. G. Psicologia. Springer, 2008, p.8, p. 11-12.

SOUZA, R. C. O que é Psicologia. Página visitada em 2013-09-16.

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